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Marasmo social e invisibilidade do capital global em 01º 27' 21" S, 48º 30' 16" W

Se blogs morressem por inanição este aqui já teria levado o farelo. 😆😂
Ainda bem que isso não é possível ou será que é ? deixa pra lá!
Bom eu já falei que eu curso licenciatura em Geografia pela UFPA? Se não fique sabendo agora! Ok isso não mudou a sua vida kkkkkk
Para não relegar este blog a categoria de fóssil eu vos trago meu trabalho de conclusão da disciplina de Geografia Econômica. Ele ainda não foi avaliado pelo professor portanto vocês, ou seja quem por aqui for explorar ou se perder, poderá dar pitaco em primeira mão. Sem mais....

Marasmo social e invisibilidade do capital global em 01º 27' 21" S, 48º 30' 16" W

Bruno da Silva FIGUEIREDO¹
Desde as grandes manifestações ocorridas em junho de 2013 no Brasil e mais especificamente em Belém tivemos um impeachment presidencial, cassação do prefeito de Belém bem como do governador do Estado do Pará isto sem falar de um ex-presidente da Câmara dos Deputados Federais, preso, o ex e atual presidente do Senado envolvido em escândalos políticos sendo parâmetro é apenas um fragmento de todo o chorume que tem vido à tona seja pela mídia tradicional, com filtro extremamente parcial, seja pelas mídias alternativas mas de alcance ainda menor. Há de se mencionar o desemprego alto na margem de 12,8 % (13,5 milhões) no segundo trimestre e recuo no poder de compra sendo ultrapassado pela China em 2016 após 36 anos, esse cataclismo na política e na economia seria um mote para verdadeiros levantes sociais em países como a França e a Argentina, mas o que se observa no Brasil é um efeito de saturação como se a população aguardasse as eleições de 2018 e 30% do eleitorado a volta do Lula à presidência.
Essa descrença com a política abre espaço para os aventureiros na política chamados de outsiders pessoas que se aproveitam da situação para colocar em prática políticas ultraconservadoras com argumento de moralização da política e da sociedade já vimos que ao se instalarem as primeiras medidas visam a supressão dos direitos arduamente adquiridos. Atualmente temos presenciado alterações no ensino médio e na legislação trabalhista e tentativa na previdência social tudo sobe o nome fantasia de “reformas” mas o que se vivencia nas ruas da capital do Pará é “normalidade” fluindo nada de passeatas, protestos, greves o que existe por essas paragens caboclas são as “carimbadas-cartorárias-eleitorais” reeleição de políticos que não estão e nunca estiveram em sintonia com os anseios das camadas populares de nossa terra na obra Por uma outra globalização (p. 101), Milton Santos discorre sobre o dinheiro da globalização bem este que é fluido e imaterial e que rege o território tanto o nacional como os estratos inferiores
Antes, o território continha o dinheiro, em uma dupla acepção: o dinheiro sendo representativo do território que o abrigava e sendo, em parte regulado pelo território, considerado como território usado. Hoje sob influência do dinheiro global, o conteúdo do território escapa a toda regulação interna, objeto que ele é de uma permanente instabilidade, da qual os diversos agentes apenas constituem testemunhas passivas.
A ação territorial do dinheiro global em estado puro acaba por ser uma ação cega, gerando ingovernabilidades, em virtude dos seus efeitos sobre a vida econômica, mas também sobre a vida administrativa”
            Toda essa invisibilidade do dinheiro é mascarada pela grande mídia mesmo com a “crise” tão propalada o brasil não ficou na bancarrota, isto para se utilizar um termo tão à moda da década de 80, o nosso PIB segundo o Banco Mundial é de 2016 é de 1,796 trilhão de dólares se convertermos em reais esse valor mais que triplica no Pará de acordo com dados da Secretaria de Planejamento (SEPLAN)  e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (FAPESPA) o PIB estadual em 2014 foi 124,585 milhões de reais sendo o 13º PIB entre os estados como explicar o imenso fosso entre o que se arrecada e o que se vivencia no dia-dia? Uma das possíveis reações a discrepância entre o lastro que o país detém e o que se é investido na área social é a generalização da classe política bem como a sensação de impotência para mudar esse cenário além da ausência de novos quadros políticos que se conectem com a realidade tudo que ora acima fora elencado explicam o estado de letargia da sociedade brasileira e mesmo belenense.
            Na contramão de toda essa riqueza, vale lembrar que o Pará possui uma das maiores reservas mineralógicas do mundo, porém têm a miséria e pobreza extrema, Belém segundo dados de pesquisa de 2011 do Instituto Brasileiro Geográfico e Estatística, tem mais da metade de sua população vivendo em favelas aqui o termo empregado é invasão, mas a dura realidade não difere muito, são 54, 5% ou 758,524 habitantes da capital vivendo em 


condições precárias locais em que o espaço globalizado se faz presente de forma difusa e incipiente, onde também o poder estatal seja o de serviços seja o de segurança estão muita das vezes ausentes não é de se estranhar que Belém esteja entre as dez cidades mais violentas do Brasil mais especificamente na sexta posição segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública outro dado alarmante segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), do IBGE e a taxa de analfabetismo gira em torno de 9,9 % e que ainda é saudado em matéria em veículo de comunicação apoiado pelo estado como se mais de 800 mil pessoas que não sabem ler e escrever fossem motivos de se congratular. Em nossa região existem dois rios voadores um composto por cursos de água atmosféricos, e outro financeiro de fluxo imperceptível nas camadas sociais periféricas.

¹ Possui graduação em Comunicação Social – Jornalismo (2010) e Pós-graduação Lato Senso em Jornalismo, Cidadania e Políticas Públicas (2014) pela Universidade da Amazônia (UNAMA). Atualmente é acadêmico do curso de Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), é servidor público do município de Ananindeua. 

Referências
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 10. ed. Rio de Janeiro: Record, 2017. 174 p.
BANCO MUNDIAL. World Bank national accounts data, and OECD National Accounts data files. GDP (current US$) Brazil, 2016. Disponível em: https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.CD?locations=BR. Acesso em: 10 set. 2017.
FAGUNDES, Álvaro; FRAGA, Érica. Brasileiro tem pela 1ª vez poder de compra menor do que chinês. Mercado. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
FELLET, João. É visível o silêncio das ruas em relação a Lava Jato, diz cientista político: Professor de Ciência Política da PUC-RJ, Luiz Werneck Vianna avalia que as delações da Odebrecht têm tido repercussão muito maior na imprensa do que nas casas dos brasileiros. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
FENÔMENO DOS RIOS VOADORES. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
LIMA, Wilson. Pará tem a capital e a cidade com a maior proporção de moradores em favelas: Em Marituba, 77,2% das pessoas vivem em favelas; Belém tem mais da metade da população vivendo em aglomerações. Brasil. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
OLIVEIRA, Edson. Fapespa divulga dados do PIB Municipal e Belém lidera participação no Estado. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
SANTOS, Bárbara Ferreira. As capitais mais violentas do Brasil; Natal lidera: Dados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Natal é a capital mais perigosa do país, com 78,4 mortes por 100 mil habitantes em 2015. Brasil. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
SILVEIRA, Daniel; LAPORTA, Taís. PIB do Brasil cresce 1% no 1º trimestre de 2017, após 8 quedas seguidas: Agropecuária foi o destaque na primeira alta da economia em 2 anos. Tecnicamente, resultado positivo tira o país de sua pior recessão. Economia. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.
TAXA de analfabetismo cai no Pará, diz IBGE: Seduc constata redução de 10,6% para 9,9% na taxa de analfabetos no Pará. O Liberal, Belém, 08 set. 2017. Notícias, p. 03. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.

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