Pular para o conteúdo principal

Para que serve um correspondente internacional?

Em meio a eleições presidenciais norte-americanas e com emissoras do mundo todo enviando correspondentes internacionais. Eis que encontro um sub-capítulo no livro do jornalista e antropólogo Antonio Cláudio Brasil que me intrigou e que trata-se de um pergunta simples mas pertinente: “Para que serve um correspondente internacional?”

-------------------------------------------------------------------------------------------------



“Certamente não é para agradar ao governo do país onde trabalha. Assim como certos elefantes, correspondentes internacionais devem incomodar muita gente. Atitude que anda meio fora de moda, principalmente em círculos próximos ao governo da hora em Brasília. Mas incomodar ainda é uma das principais caracteristícas de um bom jornalista. Não deve mentir, mas não tem de aceitar pautas aprovadas pelo governo.”

Antimanual de jornalismo e comunicação. Ensaios críticos sobre jornalismo, televisão e novas tecnologias / Antonio Cláudio Brasil. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.



------------------------------------------------------------------------------------------------



E a nossa cobertura internacional como anda? Será que já fizemos alguma matéria direto dos Estados Unidos, veja bem digo matéria e não simples chamadas ao vivo de alguns minutos que falam o que todo mundo está cansado de saber, isso sem falar de imagens obtidas de agências noticiosoas. Até quando a lei do menor esforço ou como Brasil chama de jornalismo preguiçoso vai durar? Se é para fazer uma cobertura internacional medíocre é preferível fazer uma cobertura nacional digna, e não enviando “expedições” como por exemplo, a amazônia, local onde com muito orgulho moro, sinto-me um estrangeiro em meu próprio país. Somos tratados como seres estranhos, porque na verdade quem se propõem a vir aqui não sabe nada de amazônia. E para piorar quem fica responsável por enviar matérias daqui para a rede globo e outras emissoras, não tem preparo e se resume a mostrar o óbvio. Vende matéria repetitiva e é sempre desmatamento e violência no campo.


Tudo bem não podemos e nem devemos ignorar nossas mazelas, que não são poucas, mas existem outras pautas interessantes e que não são abordadas, quer um exemplo? Alguém já ouviu falar de burro-sem-rabo? Acredito que a maioria não, tratam-se de pessoas que puxam um ‘mini-carroça” apenas com a força dos braços creio que não seja só na área metropolitana de Belém que isso ocorra mas é pouco provável que se veja em outro local um número grande mulheres que fazendo esse serviço. Mais uma curiosidade ou quem sabe particularidade que não possui espaço na mídia talvez seja uma forma de falar de desmatamento pois, quem não me garante que esta pessoa não veio do campo para tentar a sorte na cidade?


Ficar restrigindo-se a mostrar floresta devastada e confronto por terras é como o Raul Seixas ditou é usar apenas 10% do cérebro.



Antimanual de jornalismo e comunicação. Ensaios críticos sobre jornalismo, televisão e novas tecnologias uma boa pedida para quem quer fugir do marasmo da televisão brasileiro.

Postagens mais visitadas deste blog

CONTOS AMAZÔNICOS

Esse post é para quem curte contos, vou por um conto do livro O REBELDE E OUTROS CONTOS AMAZÔNICOS, de Inglês de Sousa publicado pela editora scipione com Ilustrações de Fernando Vilela e com Organização de Maria Viana. O livro contém os contos: O Rebelde, A Quadrilha de Jacó Patacho, O Donativo Do Capitão Silvestre e o Voluntário. Mas antes de colocar o trecho do livro é melhor ver o que o livro diz a respeito do autor.







Inglês de Sousa:

A publicação de Contos Amazônicos, em 1893, deu-se em tempos de agitação política e de efervescência intelectual. Nesse ano saíram Missal e Broquéis de Cruz e Sousa, títulos que inauguraram novo momento literário brasileiro, o Simbolismo.

Para o crítico Araripe Júnior, "a produção literária (...) foi relativamente abundante, pelo menos os jornais e as revistas andaram muito pejadas de pequenas publicações narrativas variando desde o grotesco até o épico".


José Veríssimo apresentou julgamento bem diferente sobre o movimento literário desse ano tã…

Verde Tempo

Hoje ajudando minha esposa a fazer um trabalho da escola que falava sobre trovadorismo relembrei minhas aulas do ensino médio.  A Cantiga do desencontro reavivou lembranças de algo que não volta mais eramos adolescentes sonhando com a universidade; família, emprego e outras obrigações eram uma imagem distante mas de repente as coisas mudaram será que foi eu que mudei? Não sei mas as passagens da vida sempre deixam um gosto de perda, algo que o vento sopra e leva embora e o coração fica espremido entre uma lágrima e outra.  Tudo passa muito rápido alegrias e tristezas se esbarrando dentro de um tornado e eu dentro dele. Saíamos das aulas correndo atrás dos nossos sonhos mas nem tudo é como pensávamos, surpresas, mudanças de rota.
Lágrimas que escorrem e soluços que abafam...
Cantiga do desencontro
"Ai flores do verde tempo, Cheias de sol e distância... Em que canteiro deixaste O aroma de minha infância?
Ai flores do verde tempo, Alvas luas que semeei... Em que camada de terra Mor…

PALAVRÃO NÃO É PORNOGRAFIA

Texto publicado originalmente no O PASQUIM em dezembro de 1969 nº 25 Como o Texto é dividido em 5 partes vou (ou melhor iria pôr) pôr em 5 post devido a extensão do artigo de Rubem Fonseca. Rubem Fonseca
I – PORNOGRAFIA?
Pornografia, do grego pornographos (porne, prostituta + graphein, escrita) significava, originalmente a descrição de prostitutas e da prostituição em relação à higiene pública. Hoje, segundo os dicionários pornografia é o caráter obsceno de uma publicação ou, ou de uma coleção de pinturas.
Quando se diz que alguma coisa é pornográfica é porque essa coisa descreve ou representa: a) funções sexuais ou funções excretoras; b) mediante, em certos casos, a utilização de nomes vulgares comumente conhecidos como palavrões. O termo pornografia, quando utilizado aqui, terá sempre essa acepção.
Freud, no prefácio do livro Scatologie Rites, de Bourke, diz que é comum serem as pessoas afetadas por qualquer coisa que as relembre inequivocadamente da natureza animal do homem... Eles escon…