7 de out de 2008

Para que serve um correspondente internacional?

Em meio a eleições presidenciais norte-americanas e com emissoras do mundo todo enviando correspondentes internacionais. Eis que encontro um sub-capítulo no livro do jornalista e antropólogo Antonio Cláudio Brasil que me intrigou e que trata-se de um pergunta simples mas pertinente: “Para que serve um correspondente internacional?”

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“Certamente não é para agradar ao governo do país onde trabalha. Assim como certos elefantes, correspondentes internacionais devem incomodar muita gente. Atitude que anda meio fora de moda, principalmente em círculos próximos ao governo da hora em Brasília. Mas incomodar ainda é uma das principais caracteristícas de um bom jornalista. Não deve mentir, mas não tem de aceitar pautas aprovadas pelo governo.”

Antimanual de jornalismo e comunicação. Ensaios críticos sobre jornalismo, televisão e novas tecnologias / Antonio Cláudio Brasil. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.



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E a nossa cobertura internacional como anda? Será que já fizemos alguma matéria direto dos Estados Unidos, veja bem digo matéria e não simples chamadas ao vivo de alguns minutos que falam o que todo mundo está cansado de saber, isso sem falar de imagens obtidas de agências noticiosoas. Até quando a lei do menor esforço ou como Brasil chama de jornalismo preguiçoso vai durar? Se é para fazer uma cobertura internacional medíocre é preferível fazer uma cobertura nacional digna, e não enviando “expedições” como por exemplo, a amazônia, local onde com muito orgulho moro, sinto-me um estrangeiro em meu próprio país. Somos tratados como seres estranhos, porque na verdade quem se propõem a vir aqui não sabe nada de amazônia. E para piorar quem fica responsável por enviar matérias daqui para a rede globo e outras emissoras, não tem preparo e se resume a mostrar o óbvio. Vende matéria repetitiva e é sempre desmatamento e violência no campo.


Tudo bem não podemos e nem devemos ignorar nossas mazelas, que não são poucas, mas existem outras pautas interessantes e que não são abordadas, quer um exemplo? Alguém já ouviu falar de burro-sem-rabo? Acredito que a maioria não, tratam-se de pessoas que puxam um ‘mini-carroça” apenas com a força dos braços creio que não seja só na área metropolitana de Belém que isso ocorra mas é pouco provável que se veja em outro local um número grande mulheres que fazendo esse serviço. Mais uma curiosidade ou quem sabe particularidade que não possui espaço na mídia talvez seja uma forma de falar de desmatamento pois, quem não me garante que esta pessoa não veio do campo para tentar a sorte na cidade?


Ficar restrigindo-se a mostrar floresta devastada e confronto por terras é como o Raul Seixas ditou é usar apenas 10% do cérebro.



Antimanual de jornalismo e comunicação. Ensaios críticos sobre jornalismo, televisão e novas tecnologias uma boa pedida para quem quer fugir do marasmo da televisão brasileiro.