3 de out de 2008

COMUNICAÇÃO & POLÍTICA



Como estamos em vésperas de mais uma eleição desta vez para vereadores e prefeitos. Resolvi colocar aqui no blog um resumo do livro Comunicação & Política de Antonio Albino Canelas Rubim e que trata deste tema controverso que é política e comunicação. Sinceramente acho que ele "enrola" muito apesar de ter uma visão próxima da realidade, se ele visitasse minha cidade veria o que é política provinciana-guerrilheira.


Sem mais "enrolação" vamos ao que interessa!

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Primeiramente comunicação e política foram estudados e analisados por cientistas políticos e psicólogos e que possuíam idéias conflitantes sobre o assunto.
Os cientistas políticos observam a mídia como um instrumento para a política colocando-a em um plano secundário. O que acaba gerando um desprezo ou um silenciamento acerca do papel da mídia sobre a política.
Para os estudiosos da comunicação ocorre o inverso, eles superestimam o peso da mídia e sua importância para a política. Onde cada área de conhecimento possui uma gama de estudos e teorias que balizam e defende o seu posicionamento sobre política e comunicação. Mas vale ressaltar que o surgimento de estudos e teorias sobre comunicação e política para maioria dos estudiosos, encontra-se nos Estados Unidos entre a década de 20 e 30. Lá a estabilidade democrática possibilitou o aparecimento de estudos e teorias sobre a instrumentalização política da mídia. Dando ênfase para o fascismo e o stalinismo bem como posteriormente a reflexão da utilização intensa da mídia pelos nazistas.
Já as décadas de 30 e 40 evidenciaram a expansão e consolidação dos estudos e teorias que propiciaram a elaboração de teorias como, por exemplo, a teoria hipodérmica e o “duplo fluxo da comunicação”.
Por outro lado o nascimento da política para muitos autores data do século V a.c na Grécia, ou melhor, em Atenas. Concomitantemente aparecem reflexões sobre política, retórica e prática política. Já neste primeiro momento da política verifica-se a comunicação como um mero instrumento que serve de amplificador das idéias políticas.
A política foi engendrada juntamente com a “democracia” no berço do pensamento intelectual e filosófico ocidental, entretanto os debates de estudos e teorias sobre política, comunicação e outros temas ficavam restritos aos homens nascidos nas cidades-estados alijando, portanto a imensa maioria da população. Este quadro começou a reverter-se com o movimento Cartista inglês bem como o movimento sindical na Europa e a atuação e estruturação dos partidos social-democratas e socialistas no século XIX nos Estados Unidos. A atuação da política se transfigurou a um ponto do pensador Max Weber afirmar que os políticos têm a obrigação de expor seus atos a amplas segmentações da sociedade, mas isto não excluiu a utilização legitima ou não de acordos para manterem-se no poder. Gerando, portanto as “zonas de mediação social” locais onde o segredo e a concentração de poder no setor estatal e privado prevalecem.
Num ambiente de distorções sobre o real valor e poder da política predomina o nascimento de “profissionais da política” ou ainda “políticos profissionais” fica evidente que são seres dotados de “iluminação” e “perspicácias” para atuar na política. Este quadro fica agravado quando a mídia põe holofotes em personagens deixando de lado o cunho teórico e modelos de governabilidade, ou seja, o debate e a participação política que deveria envolver todos encontra-se restrita a um grupo seleto de “escolhidos”.
Mas para compreender o papel da mídia na política faz necessária discursar sobre os quatros novos modalidades do pensamento teórico da comunicação.
O primeiro é a comunicação midiatizada e que ganha corpo em meados do século XIX e consiste em formatar ou ainda padronizar as “massas” em um nível comunicacional criando, portanto, uma identificação de coletividade em contraponto a comunicação interpessoal e sua “espontaneidade”, mas para isto exige-se um alto grau de tecnologia para que se faça funcionar perfeitamente.
A segunda modalidade refere-se a “indústria cultural” em que tanto o produto cultural quanto a comunicação encontra-se atrelado e mesmo submissa ao capitalismo e assume um status de mercadoria.
A terceira vertente é o campo da comunicação ou da mídia e é composta por agentes sociais especializados com funções determinadas, mas com interesses, na e para a mídia, diferentes.
A quarta modalidade é a comunicação como rede e que trata de fluxos de informação interligados e entrecruzados.
E é esta quarta ramificação da comunicação: as redes que dão suporte para a vida contemporânea em que para o geógrafo Milton Santos, em A natureza do espaço, nomeia três modalidades das redes.
1. O pré-mecânico.
2. O mecânico intermediário.
3. E o técnico-científico-informacional.
É neste ultimo estágio que as redes quebram espaços, desterritorializando e desmaterializando o espaço onde a fluidez, a volatilidade e invisibilidade são marcas deste novo contexto da comunicação e política.