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VIOLÊNCIA E SOCIEDADE

Por: Bruno Figueiredo

Frondosas mangueiras, uma chuva fina caía lá fora e o pôr-do-sol deixando ao fundo uma vista bela de um apartamento de Belém mais precisamente do bairro de Batista Campos, área nobre da cidade, um cenário quase parnasiano se não fosse pelo fato de J.L.S de 9 anos estar com o braço fraturado, escoriações pelo corpo e gemendo de dor, após ter sido violentada pelo vizinho.
Por volta das 16h14min de um sábado, tipicamente paraense, o casal Oliveira prepara-se para ir visitar uma parenta adoentada sem ter com quem deixar a filha logo surge à possibilidade de cancelar a visita, problema solucionado com a prontidão do vizinho e amigo da família, João Pereira de 32 anos, de ficar tomando conta de J.L.S.
Após as recomendações de praxe o casal despediu-se da filha e de João e rumou em direção à casa de Lúcia Oliveira. Meia hora após a saída dos pais, João amordaça e abusa sexualmente a filha de Paulo e Joana Oliveira.
Duas horas se passaram e o casal retorna e vê o corpo da filha, já sem vida imersa em uma poça de sangue.
Imediatamente os pais acionaram a polícia que já está em busca do criminoso.
A estória acima é fictícia, mas reflete perfeitamente um drama comum na cidade de Belém de acordo com os números de processos do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Emaús (Cedeca) em um período de seis meses foram assassinadas nove crianças. O que demonstra a gravidade da situação de violência contra crianças e adolescentes.

Aumento de Casos de Violência

Mesmo a cidade tendo uma rede de órgãos de defesa e proteção da criança e juventude(Conselho Tutelar, Polícia, Ministério Público, da Secretaria Executiva do Trabalho e da Promoção Social (Seteps), Polícia Civil, Centro de Perícias Científicas (CPC) “Renato Chaves”, corpo técnico de psicólogos e assistentes sociais, Projeto Sentinela, da Prefeitura de Belém, Defensoria Pública e Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Unicef-Pará, GEMPAC entre outros órgãos), os números de agressão vem crescendo...
O que reforça a necessidade de reavaliação das medidas de combate a violência infanto-juvenil.
De acordo com o vereador Paulo Fontelles (PC do B), os números da violência praticada contra menores em Belém chega incriveis 470 casos sendo 87% de abuso sexualpraticados no seio da família e 13% de exploração sexual estátistica suficiente para se instaurar a primeira para apurar violência contra crianças e
Adolescentes. Já a presidente da CPI a vereadora Marinor Brito (PT) demonstrou preocupação em com as ações serão realizadas tanto que cogitou filmar todas as ações com o intuito de legalizar e mostrar para sociedade os avanços das investigações.
Então o que falta para reverter este quadro? Segundo a coordenadora do Cedeca a advogada Celina Bentes Hamoy o estado precisa estar mais presente nos locais aonde este tipo de crime vem ocorrendo, mas somente isto não basta, a sociedade tem papel importante, ou seja, não silenciar diante de novas agressões e denunciar para algum órgão competente ou mesmo telefonando para o número 100.
Normalmente o agressor é membro da família ou amigo, o que leva muitos casos serem sequer denunciados, ou seja, por se tratar de um tema, polêmico este dever ser amplamente debatido nas diversas esferas da sociedade.

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