24 de out de 2007

A REVISTA BRAVO! E CIDADE DE DEUS



Por Bruno Figueiredo, Deliane Melo e Kedma Souza.


Este trabalho teve como base o livro do escritor José Luis Braga "A Sociedade Enfrenta a Sua Mídia" e da revista Bravo! De setembro de 2007 e tem por objetivo de elucidar e levantar questões de como o jornalismo se relaciona e sua crítica à televisão. E para a concretização desses objetivos utilizamos o capítulo 13 do livro de José Luis e a edição de setembro de 2007 da revista Bravo!

A revista Bravo! Faz uma abordagem crítica da televisão de conceitos de cultura e suas variáveis tais como a qualidade da programação, dinamismo, relevância, interferência (positiva ou negativa) na sociedade enquanto que o escritor José Luis Braga, em seu livro "A sociedade enfrenta a sua mídia" (capítulo 13), analisa de que forma o jornalismo impresso se relaciona com a mídia televisiva. Evidenciando a "atualidade", ou seja, aquilo que está acontecendo agora e seus reflexos. As análises da revista Bravo! E a dos jornais diários possuem contratastes nitidamente diferentes uma das prováveis explicações.
segundo o próprio José Luis é que a Bravo! É consumida por uma população "letrada" já os jornais em sua maioria são compostos por leitores menos exigentes culturalmente. A Bravo! De setembro de 2007, traz como capa os atores Darlan Cunha e Douglas Silva, protagonistas do filme e série Cidade de Deus expondo o impacto e a revolução causada pela nova estética proposta e elaborada pelo diretor Fernando Meirelles. O filme é avaliado por várias óticas entre elas a literária, a tecnológica, a social e a cinematográfica. A revista tem o cuidado de mostrar o quanto o filme foi e é importante para a mudança nos paradigmas e séries televisivos. O autor da matéria, Ricardo Calil, abriu espaço para as críticas divergentes entre elas a do cineasta italiano Joel Pizzini que chegou afirma que: "Toda essa discussão é uma perda de tempo, porque o filme estará esquecido daqui cinco anos". Mostrando assim de forma de forma jornalisticamente correta os "dois lados" entorno do polêmico filme. Já os jornais em sua maioria se restringiam a divulgação do sucesso das bilheterias, alguns sedentos em vasculhar e expor a vida privada dos atores entre outras coisas factuais como, por exemplo, a edição 1667 da revista contigo! De 30 30/08/2007. Houve exceções como a de Eugênio Bucci, Jornal do Brasil, 05/09/2002 fazendo uma relação entre o tráfico na figura do personagem "Zé Pequeno" e os altos executivos de conglomerado, ele afirma: "Muitos dos grandes executivos que hoje correm o mundo conduzindo conglomerados maiores que nações inteiras, muitos deles se orgulham de ser chamados killers. Demitem dez mil funcionários de uma canetada só. São frios feito máquinas de calcular na hora de 'enxugar a folha'. São os killers. Como Zé Pequeno"

A análise estrutural da revista Bravo!


A revista Bravo! Está focada em um público especifico, não só pelas singularidades dos leitores assíduos e interessados em programas culturais, em realizações de eventos e a crítica cultural, mas tal revista é estruturada para assistir aos consumidores letrados, ou seja, fora dos padrões da massa popular.


A linguagem utilizada nas matérias é em grande parte "Culta", todavia há exemplos e colocações de uma linguagem coloquial como na reportagem "o maior prêmio da cultura"

As matérias possuem chamadas ao final destas para envolver o leitor em uma busca mais profunda, seja por informações sobre a reportagem, mas principalmente como um recurso para evidenciar a agenda de eventos culturais e debates.

No conteúdo da revista tem a inserção de propagandas ligadas e particularizadas, com objetivo na venda aos consumidores de produtos (livros, programas de televisão, estilo musical, teatro e etc.) que prestigiam certas camadas da sociedade, com a seleção e criticidade em cima desse produto para poder julgá-lo apto ao usufruto dos usuários da revista.

As propagandas no interior do site da revista também são de cunho cultural, sustentando a verdade de que o principal objetivo e apresentar um serviço de plena "cultura para a elite", lógico também sendo uma forma de opção para a sociedade massificada por padrões pré-determinados. Há um recurso nas matérias que é a interação entre estas e o recurso mais informatizado, o qual é o computador fazendo convites a visita de paginas para debates ou indicações de sites para interessados na ampliação de sua perspectiva principalmente na cultura literária.


Análise da Matéria da Capa da Revista Bravo!

A matéria capa da revista Bravo! De setembro de 2007 faz uma analise do filme Cidade de Deus de um ponto de vista estético, Ricardo Calil autor da matéria ressalta vários pontos que fizeram do filme um sucesso e que repercutiu e criticas.

O filme Cidade de Deus revolucionou o cinema brasileiro a partir da linguagem literária, o diretor Fernando Meirelles apostou em um enredo sobre o cotidiano, com diálogos improvisados por atores amadores, no qual esse modelo foi atacado pela imprensa dita como a "cosmética da fome". Não somente sua linguagem foi um marco do filme como também o foi o processo cinematográfico. Cidade de Deus traz uma concepção de clareza e praticidade como, por exemplo, a não utilização de fotografias "tradicionais", a filmagem foi apenas com o que tinha nas mãos dando a sensação de naturalidade. Ao mesmo tempo em que Meirelles opta por recursos simples, do outro lado ele utiliza o mais avançado em cinema, com corte ultra-rápido, filmagem com ângulos diferentes que provocam no espectador uma sensação cativadora, como por exemplo, o início do filme. Ruy Cardnier contrapõe o modelo de C.D.D dizendo: "Entre os realizados brasileiros, o que existe é a forte concepção de clareza e praticidade: algo que pode ser filmados em um única plano, não precisa ser filmado em dois".
O filme C.D.D abordou questões sociais e históricas sobre ascensão do crime na Zona Oeste do Rio de Janeiro ao mesmo tempo que gerou polemicas, foi um referencial para que outros pudessem abordar um lado da realidade do Brasil, o diretor Roberto Moreira assume essa influência: " Não dá para entrar nesse universo de favela ou de periferia hoje no cinema sem passar por Cidade de Deus, seja para retrabalhar ou para contrair seus preceitos". Encontramos tais exemplos nos filmes Quase dois Irmãos (2004), que abordou o tráfico no Rio de Janeiro, Antônia (2006), que trata o cotidiano das mulheres paulistanas e Cidade dos Homens (que será lançado ainda esse ano). Mais não só no Brasil foi seguido essa métrica, fora do país também, como é o caso de Tsotsi de Govin Hood que foi considerado o C.D.D da África do Sul.
O filme recebeu várias premiações como a indicação para o Oscar 2003, foi escolhida pela revista Time como um dos melhores filmes da época e outras "glórias passageiras" segundo Ricardo.
Ficou evidente, após a análise do livro "A Sociedade Enfrenta a Sua Mídia" e da revista Bravo! Que as várias segmentações ou ramificações do jornalismo possuem diversas e diferentes críticas da televisão, umas com uma linguagem mais elaborada e outras usam uma linguagem dinâmica bem como as idéias ou ideologias em certos aspectos divergentes. Entretanto ainda falta um espaço definido para a exposição de idéias assim como existe na internet, uma exceção é o Observatório da Imprensa, as críticas na maioria das vezes ficam restritas a emissão de opinião de um número de "jornalista" que fazem uso do sensacionalismo para obter um destaque em relação aos seus semelhantes, é a mídia colocando-se em foco.



Referências


BRAGA, José Luis. A sociedade enfrenta a sua mídia. São Paulo, Editora Paulus, 2006.


BRAVO!, Revista: Editora Abril – Mensal, edição setembro, 2007.

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