29 de out de 2007

ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO




por: Bruno Figueiredo

O Nazismo foi um regime político autoritário que se desenvolveu na Alemanha durante as sucessivas crises da República de Weimar, entre os anos de 1919 e 1933.


O filme Arquitetura da Destruição mostra o quanto o ideal de beleza e higiene foi fundamental para a aglomeração e desenvolvimento do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). De caráter, evidentemente racista o partido de Adolf Hitler pregava a superioridade da raça ariana e espalhava o ódio contra os judeus, miscigenados, doentes mentais entre outros grupos sociais.


Hitler idealizava uma "nova" Alemanha recheada de obras faraônicas, um conceito de moderno a custa de muito sangue e escravizadão de outros povos.


O líder do partido nazista propunha uma solução paradoxal, ou seja, dependendo das circunstâncias o NSDAP mostrava-se como o novo, o moderno que veio para libertar a Alemanha da humilhação da Primeira Guerra "Mundial", em outro ponto Hitler proclamava a restituição da pureza racial que existiu, segundo ele, durante a antiguidade como, por exemplo, nas cidades de Esparta, Atenas e Roma.


O alemão belo, forte e principalmente aquele cidadão que luta por uma Alemanha nova deveria juntar-se ao nazismo. E para conseguir um apoio em massa Hitler utilizou todos os recursos da mídia disponível na época sendo que o cinema e o rádio foram os mais utilizados. Chegando a ser produzidos filmes de propaganda de guerra como, por exemplo, o "vítimas do passado" filme este que expunha os gastos desnecessários com os doentes físicos e mentais chegando ao absurdo de afirmar que em 70 anos a população "saudável" aumentou 50% e que enquanto a população que possui doença hereditária aumentou cerca de 450% o que deixa explícito o teor de pseudociência praticado pelos nazistas. Afinal quase tudo era falso no interior da doutrina de Adolf Hitler exceto o seu desejo de conquistar e dominar o mundo fazendo uso dos piores meios possíveis.


A arte alemã foi usada de maneira sistemática pelos integrantes do partido nazista, eles afirmavam que a arte moderna era degenerada e que representava a mente insana dos artistas modernistas além de aproveitarem para difamar ainda mais o povo judeu, tudo isto ficou evidente na mostra aquisições nacionais antes de 1933 intitulada, como "arte degenerada".


Para tal intuito foram realizados eventos relacionados à arte tendo como pano de fundo a superioridade e pureza da raça ariana.


Para Octavio Paz¹, a palavra moderno em si possui um significado extremamente vazio. O intuito da palavra é demonstrar algo recente, novo. Mas afinal novo para quem? E com que intenção.


Hitler fazia uso da palavra moderno com muita maestria conseguiu imbuir na mente do cidadão alemão o projeto moderno nazista. Esse projeto fez uso de analogias ofensivas tais como o judeu-parasita, o judeu-rato etc.


Para obter sucesso em seu projeto de reestruturação da "grande" Alemanha, Hitler fez uso de antigos símbolos nórdicos e posturas medievais como a suásticas, o dever de lealdade, respectivamente.


Até mesmo por se tratar de um artista, frustrado, Hitler organizava verdadeiros desfiles cenográficos "o mito do corpo do povo" da Alemanha, o documentário exibe isto perfeitamente. Tudo era muito organizado resgatando a idéia de proporcionalidade vigente na antiguidade.


Sendo que a proporção de Hitler era estratosférica, tudo muito normal tratando-se de um megalomaníaco. Com mais de quarenta projetos arquitetônicos monumentais e com destaque para o novo prédio da nova chancelaria que ficou ao cargo do arquiteto Albert Speer.


"O que desejamos da juventude de amanhã é diferente do que era desejado no passado, precisamos criar um novo homem para que nossa raça não sucumba ao fenômeno da degeneração típica dos tempos modernos" Adolf Hitler.


As frases em cima foram proferidas em um discurso em Nuremberg diante de uma multidão onde concomitantemente foram promulgadas leis que "protegiam o sangue alemão" dentre as leis destaca-se a proibição do casamento entre alemães e judeus.


Mostrando outra vez a face xenófoba de Hitler e seus seguidores. O valor estético era de imensa importância.


Com o passar dos anos a agressividade aumentava culminando com a invasão da Polônia e, por conseguinte o início da Segunda Guerra Mundial.


Com as sucessivas vitórias Hitler resolve bombardear Londres não obtendo sucesso, o chefe supremo do nazismo cometeu o erro de invadir a URSS ficando desta vez com duas frentes de batalha levando a derrocada do III Reich.




1. Octavio Paz (diplomata mexicano, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1990).